MINHA MÃE CANTA PRA MIM DESDE A BARRIGA E EU GOSTO
Oficina de canto para bebês de 0 a 18 meses acompanhados por um cuidador
Por Renata Len, mãe da Luli - março de 2016
Quero começar mas não sei por onde
Onde será que o começo se esconde...
Difícil definir aonde começa e onde termina mas tenho certeza que o “durante”foi maravilhoso!
O primeiro ano de vida de um bebê é incrível, encantador. Grandes evoluções em tão pouco tempo. Dúvidas, mudanças, angústias... Tudo muito intenso! Viver esse ano frequentando suas aulas de música foi a melhor escolha que poderia ter feito para mim e para a Luli. Momentos de carinho, de olhar, cantar e vincular.
As cenas das conquistas da minha pequena muitas vezes vem à minha mente junto com uma música ou momento vivido aqui. As músicas de improviso concretizavam a cada semana as mudanças, os sentimentos, demarcavam os meses. E o tempo vai passando...
Lembro dela bem pequenininha “pequenininha de mamãe” chorando nas primeiras aulas de cólica. E como foi importante saber que podia ficar tranquila. Aqui todos choram, mamam e dormem durante a aula.
Luli passou a acompanhar as aulas sentadinha. Pouco depois acompanhava o ritmo das músicas batendo seu pezinhos no chão. Começou a se arrastar fazendo jus ao apelido tão carinhosamente dado por você desde o nosso primeiro encontro: “Lucia já vou indo”. Foi aqui que a Luli engatinhou pela primeira vez! Vejo a cena! Me emociono. Me emocionava com “seu olhar”, música que começou a nos acompanhar nas mamadas da manhã. E as músicas continuam fazendo parte da nossa vida.
E onde será que isso termina? É hora de encarar um novo começo.
Vejo essa aula como espaço de carinho e acolhimento para a dupla mãe/bebê. Me senti muito acolhida por essa grande mãe que é você. Nessa mistura mãe/bebê, vejo minha pequena circulando livremente no espaço, se relacionando com as outras pessoas que nos acompanham. Eu também preciso sair desse colo, desse ambiente que foi tão importante nesse ano e encarar novos espaços. Coragem para encarar o mundão na certeza que ganhei uma pessoa incrível por quem tenho enorme carinho e a segurança de que continuarei recebendo esse sorriso tão gostoso a cada reencontro.
Renata Len
São Paulo, 19 de julho de 2016
De onde veio? Caminhos e objetivos deste trabalho - por Tânia Grinberg
Criei, a partir da minha experiência pessoal com minha filha Emília, uma oficina de canto para mães, pais e bebês pequenos. E para gestantes, também. O princípio deste trabalho e sua semente sempre presente, é o vínculo entre mãe e bebê, desde a gestação.
Desde que soube que estava grávida, conversei e cantei muito com o bebê na minha barriga. ‘Gominho’, o nome da Emília antes dela sair da barriga, foi crescendo escutando minha voz. No carro eu criava canções, falava por onde passávamos, conversava mesmo. Eu estava fazendo faculdade de música, então cantava o tempo todo, estudava e ouvia música. Fazia shows com minha banda de música Klezmer... Ela ouvia e dançava, ou dormia, ou apenas escutava. Nas aulas de percussão, particularmente, e quando uma professora colocou para tocar na sala de aula uma gravação de um coral de 50 vozes cantando, Gominho se mexia muito, chutava e se esticava.
Quando Emília nasceu, logo cantamos para ela, eu e seu pai. Nossa parceria criadora só foi crescendo, porque eu inventava muitas canções olhando ela dormir, dando banho, ninando, passeando. Inventava canções e cantava tudo o que eu desejava. Inventava também melodias e cantos como mantras. E dançava com ela também. Estas canções inventadas, particularmente, marcaram para sempre momentos preciosos – momentos cotidianos na vida de uma mãe com seu bebê recém nascido são todos preciosos, mas a gente vai esquecendo... . Evocar estas canções me faz lembrar da posição exata em que eu estava em relação à Emília, da luz no momento em que inventei a música. Tornou-se o que chamo de “Fotografia sonora”, registro que vai além da imagem, porque resgata sensações mais amplas, como cheiro, movimento e emoção.
À medida que a Emília foi crescendo (hoje está com 5 anos e meio), não deixei de cantar para ela as músicas inventadas quando ela era bebezinha. Ela aprendeu todas! A vivência continuada proporcionada à mim e à minha filha, por sempre cantarmos juntas estas canções inventadas – dentre outras que mostro a ela, as que ela me ensina e as “sem número” que inventamos juntas cotidianamente – gera um repertório nosso, sempre vivo e renovado. Emília, sabendo cantar todas as músicas que sua mãe inventou especialmente para ela quando era bebê, se apropria destas canções. Em seus movimentos de querer sentir-se novamente bebê, ela muitas vezes me pede para cantar, e assim, também ela busca sentir novamente as sensações físicas – muito prazerosas - de quando era um bebê no colo de sua mãe (ou dentro do útero!). Me ouvindo cantar as músicas que contei a ela, eram as que eu cantava quando ela era bebê, ela tenta acessar suas próprias “fotografias sonoras”. E mesmo que este acesso seja menos consciente do que o dos adultos, mesmo que sua fotografia seja uma construção a partir das narrativas que faço para ela, seu prazer, nesta vivências, é imenso, assim como nossa conexão.
O fato de eu ter inventado canções para ela e de cantar com ela, faz com que, em nossas brincadeiras de cantar, inventemos mais juntas. Temos algumas músicas de refrão inventado por nós duas, com as quais improvisamos. Em São Paulo, como passamos bastante tempo dentro do carro, essa é uma atividade maravilhosa e criativa!
Voltando para minha estreia como mãe e para o nascimento também da oficina...
Com a Emília, eu frequentava o Espaço Bebê, no Clube ‘A Hebraica’. Lá, encontrei profissionais muito especiais, que se tornaram amigas. Lá comecei a desenvolver minha oficina. Se a semente era o Vínculo, a terra, a água e o sol sempre foram a Arte, a experiência artística. Minha formação e prática são artísticas e sempre tive clareza de que é isso o que tenho a oferecer ao mundo.
A escolha do repertório foi e continua sendo baseada em canções que me tocam, em coisas que amo, nas minhas pesquisas e práticas com o teatro de rua, com a música brasileira, a música judaica e tantas outras sonoridades do mundo. E com a improvisação e a composição. Dentro do meu universo sonoro, escolho canções que são interessantes para a oficina. Desde cantos brasileiros, antigos e novos, até cantos em outras línguas. As músicas não são apenas do universo infantil e, as que são, são de todas as crianças, até mesmo das que já cresceram e se tornaram pais (até avós).
Costumo dizer a minhas alunas mães, para cantarem e colocarem para tocar para seus filhos tudo o que elas gostam de cantar e de escutar. Uma música “infantil” que o adulto não aguenta ouvir, mas que tolera porque “- meu filho adora”, não deve servir para o filho. Neste momento, estou falando um pouco sobre construção do gosto, mas meu enfoque não é só este. Ou seja, não ensino mães e pais o que devem ou não cantar e mostrar para seus filhos a fim de educar o ouvido dos pequenos ou desenvolver suas habilidades musicais. Meu objetivo é aprofundar o vínculo entre pais e filhos, através de experiências artísticas musicais que ambos possam vivenciar juntos e levar para seus cotidianos. E para que vivenciem algo bom juntos, todos devem se divertir, não só a criança!
Sonho em prática que estas oficinas vão deixar de ser apenas para pais com seus bebês pequenos e que, com o passar do tempo, serão para pais com seus filhos de 0 a 40, 50, 60 anos... . Neste trabalho, me vejo como artista, como pesquisadora e como professora. E dentro de tudo isso, sou mediadora, crio espaço para que pessoas conectadas por fortes laços afetivos (mães, pais, avós, tios, amigos...) cantem uns para os outros, cantem juntos, tragam canções de suas próprias infâncias, evoquem memórias de outros tempos – e que fazem parte do que este grupo é hoje – inventem músicas juntos e se divirtam muito!

Neste espaço, tem textos e reflexões sobre 'Minha mãe canta pra mim desde a barriga e eu gosto'.
Escritos meus, depoimentos de alunos, entrevistas, reflexões e sugestões.
foto de Fernando Satt
Por Paulina Achurra, mãe do Tonino
I just remembered one of the best experiences I had when Tonino was a baby and I thought some of you might enjoy it, they were the highlight of my week!
I took this workshops with Tania. It was a time to meet other moms and babies, and to sing and dance with Tonino, a moment to cherish and connect with him!